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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

cabeça cheia

Finda a noite. As noites terminam mais tarde do que deveriam, mais cedo do que eu queria. O limite dos ritmos cotidianos.

Coitados de nós.

Onze horas da noite deveria ser a hora que os desejos dormem. Cerveja, sono sem sono.

Queria que meu computador fosse uma máquina de escrever pra acabar a tinta da fita. Queria que acabasse a energia elétrica do mundo todo por dois meses...

Queria que a minha tinta acabasse, queria estar morto. Não morto de religioso que acha que a morte é um repouso pra depois viver de novo. Queria estar morto, o morto do ateu que não revive, o morto que se cumpre em sí, que termina a vida como o guerreiro que se retira da batalha. A morte é nossa verdadeira recompensa. Não é a vida eterna.

Vida é batalha, êxtase e violência. Vida é gravidade e o peso do próprio corpo nos ossos. Eu não acredito no ateísmo, mas é a minha escolha. Quero morrer e acabar. Dormir para sempre. É poético e bom, o descanso do qual a gente nunca acorda.

Acaba a cerveja, faz frio. Aqueço a água pra tomar um mate.

É preciso trabalhar muito, se divertir muito, lutar e subverter muito. Só aqueles que vivem uma vida intensa e totalmente dedicada a terra, ao mundo e a vida do agora, só as pessoas que vivem sem nenhuma perspectiva de pós-vida é que merecem a farta recompensa da morte eterna, a fita de tinta que deixa cada vez mais fraca sua marca, e na hora certa acaba, é jogada fora e ninguém mais se lembra dela, porque saem os personagens e a vida continua.


quinta-feira, 17 de novembro de 2011

nota mental do Sid - 243

Sociedade, grupos e instituições das quais já me expulsei:

-Igreja Adventista do Sétimo Dia;
-Sociedade Vegetariana de São Carlos;
-Centro Acadêmico de Letras que eu havia refundado anarquicamente;

(em construção)