domingo, 14 de agosto de 2011

o permanente

Com o passar do tempo eu pensava que iria ficar cada vez mais inteligente, mais sábio. Eu pensava na quantidade de livros que já tinha lido, e pensava que daqui quinze anos teria lido muito mais. Pensava que teria muito mais experiência acumulada, mais estabilidade, mais independência. Bem, o tempo passa e parece que acabei perdendo meu otimismo positivista, progressista. Parece que passam-se os anos, as fases da vida, e só parece que a gente não aprende nada, parece só é que mudamos de ponto de vista. Parece que a vida é sempre uma incompletude. Cada momento do presente existe nele mesmo e dentro dele o momento seguinte, o devir. Estamos sempre melhor do que o antes (realizado no momento presente) e sempre estaremos melhor no momento devir (também realizado no momento presente). A vida na verdade, não é um aclive, é uma reta. Uma reta iniciada num ponto aleatório e finda num ponto final. A existência não pode ser rabiscada num pedaço de papel. A existência deve existir sem metafísica alguma. Não há diferença entre mundo e simbólico. Só existem pontos, infinitos, numa reta qualquer, numa direção qualquer.

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