quarta-feira, 17 de agosto de 2011

dos amores o mais que perfeito

Quando eu falava para Silas que Marília era fantástica, ele sempre concordava e ainda se indagava do porquê nunca tinha namorado com ela. Eu respondia sempre da mesma forma: porque você é um idiota!

Houve um tempo em que eu pude beijar Marília. Foi uma das poucas garotas que eu beijei e não consegui comer e, mesmo assim, achar que valeu a pena. Marília era tão interessante e comunicativa que você jamais sentia que ela precisaria de você. A mesa toda e ela sempre estava se comunicando, chamando atenção de várias pessoas. Marília era inteligente demais, nunca intervia numa conversa para chamar atenção ou pra sentir que estava interagindo. Marília foi um dos meus amores sete eternos. Eu tenho esse péssimo hábito, nunca abandonei meus amores. Eles me deixam, me largam, me chutam e me esquecem, nunca mais nos vemos, mas eu ainda faço brindes e lembro deles. Eu gosto de amar mais, não gosto de desamar. Eu só não gosto de amar demais, porque acho que ninguém merece muito amor também.

Eu pensando tudo isso e ela lá chamando atenção das pessoas, sempre inserindo seus comentários inteligentes e suas dúvidas sinceras. Não importa que consideramos uma pessoa inteligente, quando ela pensa de forma parecida conosco, ela era foda. Virei o copinho com o resto da cachaça e arrematei uma cerveja gelada por cima da goela fervente em homenagem a ela. Esse era o único problema de Marília, o mais perfeito dos meus sete amores. Ela poderia abandonar você um dia, do nada, e isso jamais abalaria seu universo perfeito. Seus amigos eram bacanas, sua familia, sua condição financeira, seus discursos, sua aparência... ela tinha muita gente a sua volta e todas essas pessoas eram pessoas interessantes. Você jamais se sentiria um homem a moda antiga perto dela. Ela nos assustava com sua felicidade e independência.

Mas uma hora ela te escolhia, olha pra você sempre sorrindo, sempre aberta ao contato. Ela pegou o copinho que eu havia acabado de encher com aguardente da boa, e virou de uma vez só. Não pense que você vai me deixar pra trás heim, ela disse. Eu estava louco pra beijá-la.

Conversamos muito, sobre filmes e especialmente livros. Ela me achava um cara inteligente e por isso ganhava alguns pontos com ela. Foi por isso também que nos beijamos, aquela certa noite inesquecível que ela já havia esquecido faz tempo

Mas ela foi embora. Levou seu perfume, sua luz, seu rastro. Era como se alguém tivesse tirado o velho rock n roll da vitrola e botado um blues pra tocar. Demorou pra me dar conta de fato, que somente eu e Silas estávamos lá, na mesa, bêbados e cansados. Em silêncio.

Virei para ele e disse que Marília era fantástica. Mas dessa vez fui mais rápido. Sabe de um coisa, eu sei o porquê eu nunca namorei Marília - eu disse. E por quê? Por causa da amizade, porque ela mora em outra cidade? Não respondi de imediato, enchi nossos copos. Não, porque eu jamais teria uma chance de verdade.

Levantamos e fomos embora. Naquela noite, dormi com Marília em minha cama, mesmo ela não estando lá.

2 comentários:

Blanzinha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Blanzinha disse...

Que Marilia linda, me lembrou a Blanzinha :P