Não digo também que era um dia ensolarado e cheio de energia. Era um domingo, com um sol fraco, um quase-friozinho e uma preguiça lascada. O dia se arrastava feito lesma no edredom.
No céu muitas nuvens gordas se revolucionavam. Indicavam indiscriminadamente: chu-va. Chuva? O que era mesmo isso? Não era aquela coisa de cair coisas do céu? Pensei em procurar no dicionário... O que caía do céu? Era o maná, o pão de Deus? Eram os anjos que desciam em bungee jump para se refrescar nas águas da terra? Ou era o açúcar cristal que caía sobre os pães doces? Chuva era calda de chocolate ou essência da cânfora? Chuva de cidreira, chuva de pufs, chuva eram pedras, chuvas gotículas de shiva's?
E de repente eu não lembrava mais o que era chuva, e usando o mesmo significante, eu poderia gerar um novo significado para esta palavra engraçada. O que eu queria que caísse das tais nuvens do céu, direto para mim? Pensei pensei pensei, e quis que do céu caísse alívio, pequenas partizezinhas de alívio gelado e refrescante, que me entrasse pelas roupas e levasse o calor da alma, eu pedi... eu pedi...: água!
E de repente do céu cairam pequenas gotinhas d'água que me molharam, me lavaram, me untaram, me engraxaram, e eu no chão, numa poça, renascido, expergido, pós-partado, eu sorri, porque não eram nuvens negras, era um sol brilhante de calor, e na igreja da esquina festejavam um casamento de espanhol.
....
Foi assim que eu lembro que tudo acabou.
4 comentários:
"oh"
"chuvas de pufs"
tá bem, não aponto mais nada, está bem lindo isso aí!
Alívio seria uma ótima...mano, vou 'linkar' seu blog lá no purrinhola.zip.net, valeu?! abraço!
oiii!!!
adorei o texto! mesmo mesmo... como sempre/... =)
adoro sua escrita!
bjos!
André, o que é purrinhola.zip.net? cliquei aqui mas não encontrou!
Valeu a visita! Grande abraço!
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